
THULEP resolve definitivamente o aumento da próstata?
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Read MoreNovembro Azul vai muito além da próstata. Entenda o que a campanha acerta, o que ela distorce e o que checar por década. Agende sua avaliação em Fortaleza.

Dr. Érico Diógenes Urologista
O Novembro Azul é uma campanha anual de conscientização sobre a saúde do homem, criada para estimular o cuidado preventivo e a conversa sobre o câncer de próstata. O que ela acerta é tirar o assunto do silêncio. O que ela distorce é reduzir a saúde masculina a um único exame e a um único órgão.
Na prática, o mês vale a pena se ele virar rotina no resto do ano. Uma consulta em novembro que não se repete nos 11 meses seguintes muda pouco. Um homem que passa a medir pressão, olhar a glicemia, parar de fumar e conversar sobre rastreamento de próstata com o médico muda bastante.
O movimento começou em 2003, em Melbourne, na Austrália. Um grupo pequeno de amigos decidiu deixar o bigode crescer durante o mês de novembro para chamar atenção para a saúde masculina. O nome nasceu da junção de "moustache" (bigode) com "November". Virou o Movember.
A ideia era simples e por isso funcionou: um bigode fora do lugar gera pergunta, a pergunta gera conversa, e a conversa quebra o silêncio.
No Brasil, a campanha ganhou o nome de Novembro Azul e se consolidou a partir de 2011, com forte associação ao dia 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. Aqui, o foco ficou mais concentrado na próstata do que no modelo australiano original, que sempre falou também de câncer de testículo, saúde mental e suicídio masculino.
Essa diferença de origem ajuda a entender a principal crítica que se faz à campanha brasileira hoje.

Não é impressão. É padrão observado de forma consistente.
Os dados do IBGE mostram que a expectativa de vida do homem no Brasil é cerca de 7 anos menor que a da mulher. Homens morrem mais cedo e morrem mais por causas evitáveis: doença cardiovascular, causas externas (acidentes e violência), complicações de diabetes e doenças ligadas ao tabagismo.
Parte disso é biologia. Parte é comportamento. E o comportamento é o que dá para mudar.
Alguns raciocínios aparecem repetidamente no consultório:
Nenhum desses argumentos é irracional. Todos são compreensíveis. Mas todos custam anos de vida em escala populacional.
Vale reconhecer os pontos fortes antes de criticar.
Aqui está o ponto central deste texto.
A próstata é importante, mas é um órgão. O homem brasileiro morre muito mais de infarto e AVC do que de câncer de próstata. Concentrar toda a atenção em um órgão deixa de fora as causas mais frequentes de morte precoce.
"Fiz o PSA, está tudo certo." Não necessariamente. O PSA avalia um risco específico. Ele não diz nada sobre pressão arterial, glicemia, função renal, colesterol, peso, sono, consumo de álcool ou saúde mental.
A recomendação atual não é essa. É de decisão compartilhada, ou seja, uma conversa entre médico e paciente sobre benefícios e riscos antes de solicitar o rastreamento. Explico melhor adiante.
Um rapaz de 25 anos assiste ao Novembro Azul e conclui que o assunto não é com ele. É um erro. O câncer de testículo, por exemplo, é mais frequente justamente entre 15 e 40 anos e tem alto potencial de cura quando detectado cedo. Esse recorte quase não aparece na campanha brasileira.
Uma avaliação de saúde do homem bem feita olha o conjunto. Os itens abaixo têm impacto grande e custo baixo de verificação.
Vale ler também sobre testosterona baixa e seus sintomas, tema que frequentemente se confunde com "cansaço da idade".
Este é o ponto mais mal explicado da campanha, então vou ser direto.
Não existe hoje recomendação de que todo homem faça PSA automaticamente. Existe recomendação de decisão compartilhada: o médico explica o que o exame pode encontrar, o que pode gerar de investigação adicional e quais são as limitações, e o paciente participa da decisão.
De forma geral, as sociedades de urologia orientam:
Consideram-se de risco aumentado, principalmente:
Rastrear é diferente de investigar. Se já existe sintoma, não é mais rastreamento, é investigação, e a conduta muda.
Se você já fez o exame e o resultado veio alterado, o caminho está detalhado em PSA alto: o que significa e o que fazer agora. Para entender o que cada exame avalia, veja exames da próstata: tipos e finalidade.
A tabela abaixo é um guia geral de conversa, não uma prescrição. A frequência real depende do seu histórico pessoal e familiar.
| Faixa etária | Foco urológico | Foco geral que costuma ser esquecido | Frequência sugerida de avaliação |
|---|---|---|---|
| 20 a 29 anos | Autoexame de testículo, saúde sexual, prevenção de ISTs | Pressão arterial, tabagismo, álcool, saúde mental | A cada 2 anos, se tudo estável |
| 30 a 39 anos | Fertilidade se há planejamento familiar, sintomas urinários, testículo | Peso, glicemia, colesterol, sono, estresse | A cada 1 a 2 anos |
| 40 a 49 anos | Avaliação de sintomas urinários, função erétil, testosterona se houver sintomas | Risco cardiovascular completo, glicemia, fígado | Anual |
| 50 a 59 anos | Conversa sobre rastreamento de próstata, jato urinário, noctúria | Cardiovascular, cólon, visão, audição | Anual |
| 60 a 69 anos | Rastreamento conforme decisão compartilhada, sintomas de próstata aumentada, bexiga | Cardiovascular, densidade óssea, memória, quedas | Anual |
| 70 anos ou mais | Individualizar rastreamento conforme expectativa de vida e saúde geral, foco em qualidade de vida urinária | Polifarmácia, função renal, autonomia, cognição | Anual ou conforme orientação |
Homens com risco aumentado devem antecipar a coluna urológica em cerca de 5 anos.
Campanha que termina no dia 30 tem efeito limitado. Algumas formas simples de esticar o efeito:
Independentemente do mês do ano, alguns sinais pedem avaliação e não devem ser adiados:
Se você tem 50 anos ou mais, ou 45 anos com fator de risco, e nunca conversou sobre rastreamento, essa conversa por si só já justifica a consulta. Se quiser entender melhor o momento certo, veja quando ir ao urologista.
O Novembro Azul cumpre seu papel quando vira decisão prática. Se você mora em Fortaleza e quer fazer um check-up urológico bem conduzido, com tempo para explicar cada exame e discutir o rastreamento de forma individualizada, o consultório do Dr. Érico Diógenes fica no Pátio Dom Luís, na Av. Dom Luís, 1200, Sala 705, Torre 2, na Aldeota, com atendimento de segunda a sexta, das 8h às 18h.
Para agendar, chame no WhatsApp (85) 98178-1020.
O Novembro Azul é a campanha brasileira de conscientização sobre a saúde do homem, inspirada no Movember australiano de 2003. O dia 17 de novembro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata e funciona como data-âncora da campanha.
Não de forma automática. A orientação atual é de decisão compartilhada, com a conversa começando por volta dos 50 anos, ou dos 45 anos em homens com risco aumentado (homens negros ou com casos na família). Quem já tem sintomas deve procurar avaliação em qualquer idade.
Não. O movimento original tratava também de câncer de testículo e saúde mental masculina. Uma avaliação completa deve incluir pressão arterial, glicemia, colesterol, peso, tabagismo, álcool, sono e saúde emocional.
Não existe idade única. Homens jovens procuram por saúde sexual, fertilidade, alterações no testículo e sintomas urinários. A partir dos 45 a 50 anos, entra também a conversa sobre rastreamento de próstata.
Não. A avaliação combina história clínica, exame físico (que pode incluir o toque retal), dosagem de PSA no sangue e, quando indicado, exames de imagem como a ressonância multiparamétrica. Cada método traz uma informação diferente e eles se complementam.

Autor
Urologista em Fortaleza, CRM-CE 9540 · RQE 6232
Urologista especialista em cirurgia robótica, HoLEP e uro-oncologia. Formado pela Universidade Federal do Ceará, com doutorado pela USP e fellowship no Hospital Sírio-Libanês. Referência no Ceará em tratamentos minimamente invasivos para próstata, câncer urológico e saúde masculina.
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